As coisas: os enfeites corporais e a noção de pessoa entre os Mamaindê (Nambiquara)
As coisas: os enfeites corporais e a noção de pessoa entre os Mamaindê (Nambiquara)
As coisas: os enfeites corporais e a noção de pessoa entre os Mamaindê (Nambiquara)

As coisas: os enfeites corporais e a noção de pessoa entre os Mamaindê (Nambiquara)

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A partir de um intenso diálogo com a literatura amazônica (com incursões na Melanésia), e de um olhar atento às vidas cotidiana e ritual dos Mamaindê, Joana Miller nos permite aceder à perspectiva dos xamãs, revelando que, além dos ossos e órgãos que a nosso ver formam o interior dos corpos, as pessoas são ali feitas de linhas que, na forma de colares de contas, constituem, dentro do corpo, intrincados novelos, que ligam não somente o interior ao exterior, mas também as pessoas entre si e os vivos aos mortos. Conduzido pela autora, por meio de palavras escolhidas com precisão cirúrgica em uma prosa para lá de agradável, o leitor percorre as informações históricas disponíveis sobre o grupo e uma discussão da literatura antropológica voltada aos Nambiquara até chegar ao tema que dá título ao livro. As coisas, objetos em geral, mas aqui especialmente cordões de contas produzidos pelas mulheres a partir de cocos de tucumã, usados para enfeitar seus filhos, maridos e parentes próximos, estão simultaneamente fora e dentro do corpo, são colares, mas também são alma, espírito. Joana Miller nos adverte: não se trata de representações ou metáforas, e os colares externos não têm qualquer estatuto de realidade superior aos internos. Se os enfeites de fora se partem ou são roubados por espíritos ou inimigos, a perspectiva da vítima se desestabiliza, perde as suas referências, justamente porque com eles se partem os enfeites internos, que fazem dela um sujeito pleno, uma pessoa em meio aos seus. Trata-se de um trabalho precursor sobre o estatuto ontológico dos objetos no mundo ameríndio, finalmente acessível ao público na forma de livro.